Liebert de Abreu Muniz (Permanente)
Liebert de Abreu Muniz – Dra./UNICAMP (2017)
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8923192694248214
Linha de Pesquisa 1 e 3 – Literatura/s, Linguagens Outras Poéticas /// Literatura. Mito. Outros Saberes
E-mail: liebert.muniz@ufc.br
Projeto: A literatura simpótica em Ateneu de Náucratis: tradução, ambientação, comédia, recepção e tópicos do banquete no Livro VI
Descrição: O presente projeto tem como objetivo estudar a literatura simpótica dos gregos e romanos antigos a partir de O banquete dos sábios (Deipnosophistái) de Ateneu de Náucratis (ca. 190 d.C.?). O banquete, estritamente falando, dizia respeito ao momento depois da refeição, em
que os convivas passam a beber. Trata-se de uma espaço de sociabilidade institucionalmente definido e, em linhas gerais, a expressão cultural do modo de vida aristocrático. Os banquetes se fizeram presentes em diversas cenas da literatura greco-romana, desde os poemas homéricos, perpassando a literatura grega arcaica e se estendendo ao longo do período clássico, helenístico e período romano, do período clássico ao tardio. Um conjunto de obras permite que o evento social do simpósio seja reconhecido como um espaço literário e filosófico. Entre as obras estão O banquete de Platão (ca. 428-ca. 347 a.C.), O banquete de Xenofonte (428-354 a.C.), O banquete dos sete sábios e Quaestiones conuiuales de Plutarco (ca 46-120 d.C.), O simpósio de Luciano (ca. 120-180 d.C.), o episódio do Banquete de Trimalcião no Satyricon de Petrônio (ca. 20-66 d.C.), O banquete de autoria do imperador romano Juliano (331-63 d.C.), O banquete dos sábios (Deipnosophistái) de Ateneu de Náucratis (ca. 190 d.C.?) excedeu consideravelmente as obras simpóticas, considerando não só sua extensão, mas também sua diversificação e alcance dos temas discutidos. Ao longo de 15 livros, 29 convidados de um banquete que se realiza em Roma debatem sobre história política e cultural, sobre questões filosóficas e literárias (interesse notável pela comédia antiga), sobre os itens que compõem um simpósio, ou seja, sobre comida e bebida, e sobre questões filológicas. A importância dessa obra está na variação (na poikilía) – de temas e, para os estudos literários antigos, no fato de ter servido como repositório de muitos
fragmentos supérstites de autores gregos e latinos. A obra de Ateneu não parece apresentar uma simples reunião comensal, mas parece estruturar uma complexa arquitetura composicional com variação de cores, autores, gêneros literários, temas, e recursos retórico-discursivos (Lukinovich, A. 1990). O banquete dos sábios é, em última instância, uma reunião de saberes que congrega aspectos centrais da cultura clássica: o conhecimento, a curiosidade, a aprendizagem, o diálogo, a biblioteca. O projeto em tela pretende propor uma tradução do Livro VI de Ateneu, discutir os aspectos estruturais do banquete, a constituição da figura do parasita na comédia antiga, e a recepção do texto de Ateneu em outras literaturas.
